Inicio hoje, em São Paulo, minha terceira visita ao Brasil desde o início do meu mandato — um país que amo, onde sempre me sinto em casa. Cada uma dessas missões representou uma etapa fundamental no fortalecimento da extraordinária parceria entre Itália e Brasil.
Em 2024, celebramos os 150 anos da imigração italiana no Brasil. Hoje, 1 milhão de cidadãos italianos vive no país, ao lado de cerca de 32 milhões de brasileiros de origem italiana: a maior comunidade de ítalo-descendentes do mundo. Um patrimônio extraordinário de laços familiares, cultura, valores e amizade.
Em novembro de 2025, tive a grande satisfação de participar da COP de Belém, uma oportunidade importante para reafirmarmos nosso compromisso comum com a transição energética sustentável.
Hoje, lidero em São Paulo uma grande missão de sistema, levando uma mensagem política de compromisso concreto para fortalecer a parceria entre Itália e Brasil em todos os setores. Comigo, uma ampla delegação de cerca de 100 empresas italianas, com o presidente da Confindustria, Emanuele Orsini.
Juntos, queremos aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pelo Acordo UE-Mercosul, que garante às nossas empresas acesso a um mercado de mais de 700 milhões de consumidores. Os primeiros dados já confirmam forte crescimento das trocas entre Itália e Brasil.
Itália e Brasil reúnem todas as condições para fortalecer ainda mais a já sólida parceria econômica e torná-la um dos principais eixos da presença italiana na América Latina. Por isso, incluí o Brasil e a América Latina entre as prioridades do Plano de Internacionalização do nosso sistema produtivo.
O potencial é enorme. Em 2025, nosso intercâmbio comercial superou € 11 bilhões. O Brasil é o principal parceiro comercial da Itália na América do Sul. Cerca de 1.100 empresas com participação italiana operam no Brasil, gerando empregos e construindo relações industriais de longo prazo.
Juntos podemos fazer muito mais. Itália e Brasil têm economias fortemente complementares e amplo espaço para cooperação. Penso nos minerais críticos e na energia. O Brasil é protagonista nas energias renováveis, biocombustíveis e hidrogênio verde, enquanto a indústria italiana dispõe de tecnologias e competências de nível mundial. Penso no setor automotivo, nas infraestruturas, no agronegócio, na mecânica e nos equipamentos industriais.
Olhamos cada vez mais para as fronteiras da nova economia. São Paulo é um dos principais polos de inovação da América Latina. Inteligência artificial, agritech, fintech, cibersegurança, infraestruturas digitais e tecnologias para a saúde são setores em que empresas, universidades e centros de pesquisa italianos e brasileiros podem fazer muito mais juntos. Falaremos também de cultura e, naturalmente, de diplomacia esportiva.
Queremos aproveitar esse imenso potencial. Por isso, com a Confindustria e as Agências de Internacionalização, organizamos um grande Fórum Econômico dedicado aos setores prioritários.
Queremos mais empresas italianas investindo, produzindo e escolhendo o Brasil como plataforma para crescer em toda a América Latina. Estamos igualmente prontos para receber na Itália mais investimentos brasileiros. Mais parcerias industriais e mais inovação compartilhada. Em um mundo marcado por crescentes tensões comerciais e tendências à fragmentação, Itália e Brasil podem demonstrar que a abertura dos mercados, os investimentos recíprocos e a cooperação industrial são instrumentos fundamentais para gerar crescimento e emprego.
Há 150 anos, italianos e brasileiros constroem juntos uma história de trabalho, empreendedorismo, integração e sucesso. Hoje, queremos transformar esse extraordinário legado em ainda mais crescimento, investimentos e oportunidades. Nossas raízes são profundas. É sobre elas que queremos construir uma grande aliança econômica e industrial para o futuro.